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Archive for janeiro \31\UTC 2012

Entre anos de 1920 e 1921 os norte-americanos viveram uma recessão na sua produção industrial, da qual já mostravam sinais de recuperação em 1922. Mas para os produtores de borracha isso significou acúmulo de estoques e queda da cotação da matéria prima, que, em Nova York, caiu de U$58,85 por libra em 1916 para U$16,35 em 1921.

Porém, a preocupação com a superprodução de borracha não era novidade para os ingleses, que detinham 57,6% dos investimentos nas plantações de seringais no oriente, em 1917 a Rubber Growers Association (organização que representava a maior parte das companhias inglesas produtoras de borracha) já havia proposto aos seus associados limitar a exportação da safra do ano seguinte a 80% da produção.

Alarmado com a baixíssima cotação da borracha em 1921, o então Secretário das Colônias inglês, Lord Winston Churchill, nomeou uma comissão oficial com oito homens, liderados por James Stevenson, para definir medidas a serem tomadas a fim de controlar o preço da borracha, mantendo-o alto.

Lord Winston Churchill

As diretrizes apresentadas por esta comissão foram chamadas de Plano Stevenson e determinavam:

  • a fixação da produção de cada plantador em um “standard production” baseado na safra de 1º de novembro de 1919 à 31 de outubro de 1920,
  • a substituição do imposto único de exportação por um importo com tarifa variável – o produtor  que exportasse até 65% da safra padrão pagaria a tarifa mínima de 4 pences por libra exportada. Para quem exportasse mais, a cada 5 pontos de percentagem extra seria cobrado um pence de imposto,
  • esta porcentagem máxima sobre a qual incidiria a taxa mínima do imposto seria ampliada ou retraída de acordo com a variação da cotação da borracha.

Nessas circunstâncias, ou a oferta reduziria, o que acarretaria aumento dos preços, ou ela seria mantida ou aumentada a preços crescentes. Em qualquer um dos casos, os exportadores seriam beneficiados.

Foi por causa disso que grandes companhias americanas como a U.S. Rubber e a Goodyear compraram, em 1922, grandes plantações de seringa na Malásia e em Sumatra, e mais tarde, em 1924, a Firestone comprou um seringal falido na Libéria.

*Post produzido com informações da dissertação de mestrado de Francisco de Assis Costa (Capital estrangeiro e agricultura na Amazônia: A experiência da Ford Motor Company) e do livro de A luta pela borracha, de Warren Dean.

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Para responder a esta questão é preciso voltar ao início do ciclo da borracha no Brasil, no ano de 1876, quando o inglês Henry Alexander Wickham enviou para o Royal Botanical Gardens, em Londres, 70 mil sementes de Hevea brasiliensis (seringueira). Elas deram origem a 2.700 mudas que foram plantadas em colônias britânicas na Malásia. Pouco mais de cinquenta anos depois, os seringais destas colônias já produziam mais e com menor custo que os da Amazônia, onde a produção de borracha ainda era baseada no extrativismo.

Sementes de seringueira - Roberto Joly

Estas sementes, que haviam sido coletadas em Boim (região do Vale do Tapajós localizada pouco ao norte de onde posteriormente seria fundada a Fordlândia), acabaram sendo a causa principal do fim do ciclo da borracha, em 1912. Mas essa não foi a única consequência do plantio de seringueiras na Malásia, Ceilão (atual Sri Lanka) e África, os ingleses desejavam que o preço do látex continuasse em alta e para isso criaram o cartel da borracha.

Henry Wickham posa ao lado de uma seringueira no Sri Lanka, em 1905.

A fim de abastecer as fábricas da Ford mantendo o preço de seus automóveis atrativo, Henry Ford decidiu que não dependeria do cartel inglês, ele produziria sua própria borracha. Para isso era necessário escolher um local apropriado e nada mais lógico que optar pelo lugar de onde haviam saído as sementes utilizadas pelos ingleses em seus seringais produtivos e eficientes.

O industrial adquiriu as terras onde contruiria Fordlândia, cerca de um milhão de hectares, por 125 mil dólares, mas este é um capítulo a parte, do qual falarei em outro post…

*Post produzido com informações do artigo “Fordlândia – Breve relato da presença americana na Amazônia”, de Cristovam Sena, Engenheiro Florestal da EMATER-PARÁ e diretor do ICBS – Instituto Cultural Boanerges Sena

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Distante aproximadamente 750km de Belém, a capital do Pará, Fordlândia fica na margem direita do Rio Tapajós e é uma localidade de Aveiro. No total, o município de Aveiro tem 15 mil habitantes, dos quais cerca de 1000 vivem em Fordlândia, isso corresponde a um quinto da população da vila no auge do empreendimento de Ford.

*A localização apontada pelo Google Maps está equivocada, a indicação deveria estar na margem direita do Rio Tapajós.

Atualmente, a economia de Fordlândia é baseada na renda de pensionistas do Governo Federal, no pequeno comércio local e no manejo de produtos da floresta e do rio.

Vista aérea de Fordlândia - 1933 (Arquitetonico/Coleção Henry Ford)

Vista aérea de Fordlândia - 1933 (Arquitetonico/Coleção Henry Ford)

  • Como chegar: o modo mais fácil de chegar à Fordlândia é ir de avião até  Santarém (as companhias TAM, Gol e Trip operam vôos para a cidade) e de lá tomar um barco (normalmente os barcos com parada em Fordlândia têm como destino final o município de Itaituba), o tempo de viagem pode variar entre 8h e 18h, dependendo do tipo de embarcação.
  • Curiosidade: “Califórnia do Tapajós” é o apelido pelo qual Fordlândia é conhecida.

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Considerado pela Amazon um dos cem melhores livros publicados em 2009, “Fordlândia” foi escrito por Greg Grandin, historiador da Universidade de Nova York e nos aproxima de um Henry Ford que idealizava a construção de um novo mundo, a começar pela pequena cidade na Amazônia.

Confira um trecho da sinopse divulgada pela editora Rocco:

“De acordo com Grandin, a aventura de Ford na selva brasileira não tinha objetivos puramente econômicos. Ao transplantar para a América do Sul uma típica cidade norte-americana, que logo ficou conhecida como Fordlândia, aquele que era um dos homens mais ricos do mundo sonhava também em recriar um projeto de América, que, sob seu ponto de vista, estava se deteriorando aceleradamente em seu país natal.

 Esta é a chave para se entender a ascensão e a derrocada do “reino” arquitetado por Henry Ford no final da década de 1920, segundo Grandin. Para cumprir a missão de industrializar a mata e levar a “magia do homem branco” para o mundo selvagem, Ford ergueu, nas margens do rio Tapajós, uma impressionante localidade com luz elétrica, praças, cinemas, piscinas, campos de golfe e casas com telhados de madeira, nos moldes das pequenas cidades dos Estados Unidos.

 Sob as perspectivas mais otimistas, Ford encarnava, naquele momento, o empreendimento industrial norte-americano que substituiria a tradicional tirania feudal dos métodos de plantação no Brasil. Não demorou até que migrantes nordestinos vitimados pela seca chegassem ao encontro do homem que era saudado como “o milionário da selva” ou até mesmo “o Jesus Cristo da indústria”. Mas o sonho de Henry Ford imediatamente se tornaria um pesadelo tropical.”

O livro também foi finalista do prêmio Pulitzer, do National Book Awards e do National Book Critics Circle Awards, além de figurar na lista de livros notáveis de 2009 do New York Times.

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Depois de muito tempo quebrando a cabeça para encontrar um nome interessante para o Blog, hoje finalmente cheguei a uma decisão: Sangue, suor e seringais. Aqui vou registrar tudo que marcar minha pesquisa sobre Fordlândia e Belterra, as cidades de Henry Ford na Amazônia.

Fotos e vídeos das minhas viagens e andanças por lá, pequenos textos com as minhas impressões sobre os locais e as pessoas que encontrar, novidades sobre a região, e tudo o mais que puder envolver vocês, meus leitores, e fazê-los embarcar de carona no sonho de Henry Ford e na minha reportagem.

Em Fordlândia, a antiga usina de beneficiamento de látex e o píer, às margens do Rio Tapajós. (Creative Commons/Méduse)

Repelente na mala, e vamos lá!

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