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Archive for fevereiro \24\UTC 2012

Há pouco menos de um ano, liderados pelo senhor Expedito Brito, presidente da associação de moradores de Fordlândia, famílias da comunidade passaram a viver na antiga Vila Americana, que foi construída pela Companhia Ford Industrial do Brasil para  abrigar os funcionários americanos mais graduados.

Entrada da Vila Americana

Segundo o próprio Expedito, o objetivo da “invasão” é restaurar e preservar o que resta das construções. Ele conta que visitava diariamente as casas, via que estavam sendo depredadas e saqueadas, e percebeu que não havia outra maneira de preservá-las senão morando nelas para coibir a ação de ladrões e vândalos.

Expedito Brito, presidente da Associação de Moradores de Fordlândia

Casa ocupada pela família de Expedito

Depois que ele se mudou para uma das casas, algumas pessoas pediram permissão para ocupar as outras, Expedito afirma que permitiu, porém reuniu-se com os outros moradores para deixar acordado que as casas não poderiam ser descaracterizadas, que nada poderia ser levado dali para outros lugares e que caso a justiça determinasse, eles deveriam deixar o local imediatamente.

O piso, a mesa e as cadeiras, e a cristaleira da casa ocupada por Expedito são originais da época em que a Ford construiu a cidade

Na cozinha, o piso, a pia de ferro e os armários embutidos também são originais

À época, o governo do município de Aveiro se manifestou contrário ao ato e argumentou que aquelas casas eram de propriedade da União e que já havia um projeto da prefeitura de Aveiro junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a restauração do patrimônio.

Casa da Vila Americana em foto de outubro de 2010/Adrica Coelho - Blog Forum BR163

De fato, a parceria foi firmada em três audiências públicas entre os anos de 2009 e 2010, segundo as quais o Governo Federal disponibilizaria 23 milhões de reais para a revitalização de casas, galpões e outros prédios. Os trabalhos deveriam ter início em fevereiro de 2011, com a restauração do Hotel Zebu, da caixa d’água e de cinco casas da Vila Americana.

O antigo Hotel Zebu

Casa da Vila Americana em ruínas

Até hoje, nem a União e nem o IPHAN requisitaram a reintegração de posse das casas. Três delas estão ocupadas, uma está em ruínas e o antigo hotel segue abandonado.

*Até o momento, não foi possível entrar em contato com a prefeitura de Aveiro.

**Fotos: Juliana Geller

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Entre os anos de 1980 e 1986, o brasilianista americano Warren Dean esteve no Brasil realizando pesquisas que resultaram no livro “A luta pela borracha no Brasil: um estudo de história ecológica, onde narra a ascensão da exploração da borracha na Amazônia, o início do cultivo na Malásia, a falência causada por isso e a tentativa de plantar a seringueira de maneira racional no Brasil.

“O autor destaca a importância de uma contextualização global no tocante às espécies nativas, patentes, transgênicos etc. através de questões como: Como o Brasil perdeu o monopólio da borracha? Por que os brasileiros não empreenderam o cultivo da seringueira, em resposta à ameaça do sudeste asiático? Como os Estados Unidos que durante mais de vinte anos, aplicaram capital e tecnologia na plantação de seringueiras no Brasil não obtiveram êxito?”*

Dean foi professor do Departamento de História da Universidade de Nova York, como Greg Grandin, o autor de Fordlândia.

*Trecho da sinopse disponível no site da Editora Nobel

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Quem se interessa pela história das cidades fundadas pela Companhia Ford do Brasil na Amazônia não pode deixar de visitar o Centro de Memória de Belterra. A instituição tem como objetivo recolher, catalogar, preservar e disponibilizar para pesquisa conteúdo histórico sobre o município. O responsável por esse acervo é o arquivista e agente de atendimento Osenildo Maranhão, filho de seringueiros da Companhia Ford.

A antiga "casa dos médicos" foi restaurada e abriga o Centro de Memória de Belterra

O centro é fruto de uma parceria entre a Prefeitura, a Oscip (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) AmaBrasil e o Instituto Butantan e funciona desde o dia 1 de maio de 2010, na casa que abrigava os médicos que vinham trabalhar no conhecido hospital de Belterra, a “casa dos médicos”, primeiro prédio histórico da cidade restaurado através do Projeto Butantan Amazônia Muiraquitan Brasil.

Revistas de medicina americanas, encontradas no antigo hospital de Belterra

Placas de identificação dos funcionários da Ford

“Pesquisadores do Butantan em conjunto com a Prefeitura de Belterra, trabalham de forma intensa na recuperação do acervo histórico desta cidade e este centro serve de apoio ao trabalho de pesquisa e possibilita o acesso as informações para os moradores e estudantes da região”, afirma Otavio Azevedo Mercadante, diretor do Instituto Butantan à época da inauguração do centro, explicando a importância do projeto.

Mapa de Belterra feito em madeira, usado pela Companhia Ford do Brasil

  • Endereço: Vila Americana, n° 108, Bosque das Seringueiras, Centro – Belterra.
  • Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h

(Fontes: Instituto Butantan e Centro de Memória de Belterra. Fotos: Juliana Geller)

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Escrita em Belém no dia 20 de outubro de 1927 e publicada no jornal santareno A Cidade nove dias mais tarde, a nota intitulada Novos Horizontes reflete o otimismo da população paraense em relação à chegada das Companhia Ford Industrial do Brasil à região.

Começa assim o relato contido na nota: “Depois de um longo período de tempo em que a angustiosa situação econômica e financeira de toda a região amazonica parecia pelos serios obstaculos que a rodeavam, não mais sair desse estado grave, perigoso em que ainda se acha, as esperanças de um futuro prospero e confiante se concretizam agora tomando corpo e vida nas grandes empresas que o milliardario Ford projecta e já está dando inicio para desdobral-as, segundo o contracto, em todo o valle do Tapajós.”

E continua destacando os benefícios do empreendimento, principalmente para a cidade de Santarém – “E se a acção bemfazeja desses emprehendimentos de vulto reflectir naturalmente em toda esta região, particularmente, preferencialmente ella será mais intensa e forte em Santarém, o município leader destes dois Estados do extremo norte” – para finalizar dando conta de “epocas boas” prometidas pelas “poderosas empresas do milliardario Ford.”

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  • Dia 13/02 – Belterra
  • Dias 16, 17 e 18/02 – Fordlândia
  • Dia 24/02 – Belterra

Estará nestes locais nos dias indicados e quer participar? Entre em contato comigo, é facinho facinho, só clicar aqui e enviar sua mensagem.

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Belterra fica a aproximadamente 45km de Santarém, no Oeste do Pará, e assim como Fordlândia, localiza-se na margem direita do Rio Tapajós. A população, de acordo com dados do censo do IBGE de 2010, é de 16.324 habitantes.

O município foi emancipado no fim do ano de 1995 e em 1996 elegeu seu primeiro prefeito, o autor do projeto de emancipação Oti Santos. A economia de Belterra é baseada na agricultura, na pecuária, na silvicultura e na exploração da floresta.

Casas com estilo americano na cidade de Belterra (Celivaldo Carneiro)

Casas com estilo americano na cidade de Belterra (Celivaldo Carneiro)

  • Como chegar: partindo de Santarém é possível ir de barco ou de carro até Belterra. De carro, pela BR-163, a viagem leva cerca de 50 minutos.
  • Curiosidade: Belterra é a contração de Bela Terra, primeiro nome dado pela Ford para o local.

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O jornalista investigativo americano Joe Jackson é o autor do livro “O ladrão no fim do mundo“, no qual conta como o inglês Henry Wickham levou 70 mil sementes de seringueira da Amazônia para a Inglaterra (lembra que já falamos disso por aqui?).

Confira um trecho da sinopse divulgada pela Editora Objetiva:

“Movido pela ambição de crescer na indústria da borracha – filão comandado pelo Brasil na época – Wickham decide se aventurar pela selva amazônica em busca de um tipo particular de seringueira que produzia a borracha mais forte, durável e almejada pelos ingleses.

Após enfrentar os perigos da floresta, ter encontros com insetos gigantes e habitantes do rio Amazonas, entre outras experiências que quase o levaram à morte, Henry Wickham retorna à Inglaterra com milhares de sementes raras de seringueira que, depois de estudadas no jardim botânico de Londres, o Kew Gardens, foram enviadas para plantações nas colônias inglesas tropicais.”

Segundo o jornal Washington Post, “o ladrão no fim do mundo não é simplesmente informativo e instrutivo, é também extremamente divertido – um atributo sempre bem-vindo.”

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