Feeds:
Posts
Comentários

Archive for março \30\UTC 2012

Tanto em Fordlândia quanto em Belterra, ainda é possível ver de perto algumas construções da época em que as cidades erm sedes da Companhia Ford Industrial do Brasil. Muitos  destes edifícios sequer passaram por manutenção nos últimos 30 anos. Hoje vamos conhecer o Hotel Zebu, em Fordlândia, que foi, originalmente, uma casa da Vila Americana adaptada para servir de hotel. Estima-se que tenha sido construído antes de 1933.

Fotos: 1974 - Murillo Paiva, 2012 - Juliana Geller

A Escola Princesa Izabel*, também em Fordlândia, é datada de 1931. O prédio já passou por ampliações e hoje funcionam lá turmas de ensino infantil e fundamental.

Fotos: 1933 - The Henry Ford, 1974 - Murillo Paiva, 2012 - Juliana Geller

*O nome da escola grafa-se com Z, apesar de o nome da princesa grafar-se com S

Read Full Post »

Como a linha de produção da Ford, o setor administrativo da companhia era também extremamente organizado. Os funcionários, do gerente geral aos responsáveis pela limpeza dos seringais, eram registrados em fichas e tinham um número de ordem.

Ficha do Sr. Archibald Johnston, gerente de Fordlândia

Algumas continham dados como data de nascimento, filiação, local de nascimento, estado civil. Isso existia mesmo antes de as carteiras de trabalho serem instituídas no Brasil (em 1932). No verso da ficha haviam observações sobre faltas, licenças médicas e a demissão do empregado.

Ficha de Miguel Garcia Mota, empregado como aprendiz de jardineiro

Verso de ficha padrão de trabalhador da Companhia Ford Industrial do Brasil

Todo tipo de instrução era feita por meio de formulários de comunicação interna, desde relatos de atendimentos médicos a funcionários até férias, retirada e devolução de equipamentos utilizados pelos trabalhadores no dia-a-dia.

Pedido de instruções de um médico ao Sr. Thownsend, pai dos gêmos Charles e Ed, que participaram do documentário Fordlândia.

Termo de compromisso no qual o funcionário Manoel Gomes Pereira assume a responsabilidade de manter limpo um terreno da Companhia

Os funcionários também assinavam termos de compromisso que funcionavam como contratos, definindo o trabalho para o qual fora admitido e o pagamento e benefícios que receberia por este.

Read Full Post »

As cidades criadas pela Ford no meio da Amazônia despertam a curiosidade de pessoas no mundo inteiro. Em janeiro de 2009 a rede de TV Al Jazeera, do Catar, esteve em Fordlândia para produzir uma reportagem sobre o lugar.

Confira a transcrição da matéria de Gabriel Elizondo:

“Dona Olinda tem dificuldades para encontrar palavras que descrevam como era naquele tempo, quando a Ford Motor Company chegou à pequena vila na Amazônia. Eram os anos 20 e Ford precisava de borracha para os pneus dos carros produzidos por sua fábrica em franca expansão.

Então ele comprou um pedaço de 10.000km² da Amazônia onde seringueiras eram árvores nativas. Ford fincou uma bandeira em sua terra, a Fordlândia.

A companhia limpou o terreno e construiu uma nova cidade com boas casas em estilo americano, escolas e um hospital com tecnologia de ponta. E tudo era disponível para todos, mesmo os que não estavam entre os 4.000 funcionários locais da empresa. “O que ele construiu, no meio da floresta, era um feito como nunca visto antes nesta região”, disse Cristovam Sena, Engenheiro Florestal.

À princípio, parecia promissor, mas os gerentes americanos de Ford não eram botânicos, e a maioria das árvores morreu quando eles tentaram, de maneira incorreta, recultivar o solo. Então a borracha sintética foi inventada nos Estados Unidos, diminuindo a demanda por borracha da Amazônia.

Apresentador: Só nesta fábrica, Ford esperava produzir borracha suficiente para os pneus de 2 milhões de carros, mas ele nunca chegou perto de atingir este objetivo, então em 1945 ele simplesmente deixou o projeto e vendeu toda Fordlândia de volta ao governo brasileiro por meros US$250.000

E tão rapidamente quanto ele construiu Fordlândia, Henry Ford a abandonou. Os americanos voltaram a matriz da empresa, em Dearborn, Michigan, e enterraram as esperanças dos moradores locais.

Fordlândia, com  2.000 habitantes, ainda existe hoje, mas os prédios da Ford foram deixados apodrecendo, a maioria abandonado.Alguns sinais esfarrapados da presença americana foram deixados, mas o governo brasileiro nunca deu utilidade às construções. Era simplesmente uma área muito remota para servir a qualquer propósito.

Para alguns, Ford não tinha más intenções, eles apontam o fato de que a companhia pagou todos os débitos com os trabalhadores antes de partir. Outros mencionam a destruição do meio ambiente causada para a construção de Fordlândia e os prédios abandonados como o primeiro exemplo do século XX da realidade fria do capitalismo corporativo.

“Um fracasso. É a única maneira para descrever o que foi Fordlândia para Henry Ford”, afirma Cristovam Sena.

Dona Olinda hoje tem 98 anos de idade, ela é uma dos poucos brasileiros ainda vivos que trabalharam para a Ford. A memória daquele tempo já é desbotada, mas talvez isso seja uma coisa boa, considerando como se deu o último capítulo da desventura de Ford na Amazônia.

Gabriel Elizondo – Al Jazeera.

Read Full Post »

No início do mês de março, 84 anos atrás, o Jornal A Cidade publicou um telegrama recebido pelo diário carioca O Paiz de seu correspondente em Belém.

O conteúdo dizia respeito à instalação da Companhia Ford Industrial do Brasil no Pará e à contratação de navios a vapor para trazer de Chicago carregamentos de concreto suficientes para a implantação de uma cidade.

Também nesta correspondência comenta-se a visita de Jorge Dumont Villares e Raymundo Monteiro da Costa à Detroit, onde foram recebidos com brindes amistosos por Henry Ford.

*As cópias do Jornal A Cidade utilizadas nesse e em outros posts podem ser encontradas no Instituto Cultural Boanerges Sena (Travessa 15 de agosto, 1248, Santarém, Pará – Fone: 93 35233690)

Read Full Post »

No próximo dia 4 de maio, Belterra completará 78 anos. Fundada em 1934 pela Companhia Ford Industrial do Brasil, a cidade foi um empreendimento da empresa durante seus primeiros 11 anos. Depois disso, o Ministério da Agricultura ficou responsável por administrá-la, até que, em 1997, o município foi emancipado.

A população passou de aproximadamente 5.000 habitantes, em 1938, para 16.318 em 2010, com estimativa de 16.451 em 2011. O PIB cresceu mais que 5 vezes em 10 anos, de 1999 a 2009.

Em 1944 Belterra tinha 4 escolas, todas as escolas construídas e mantidas pela Ford. Em 2009 ainda não haviam escolas particulares na cidade e a rede pública de ensino era composta por 18 pré-escolares com 490 alunos e 25 professores, 62 escolas de ensino fundamental, com 3.947 alunos e 178 professores e 1 escola de ensino médio com 573 alunos e 23 professores.

Hospital Henry Ford, em Belterra

O Hospital Henry Ford, construído em 1938, tinha ambulatório, farmácia, 2 gabinetes médicos, gabinete odontológico, sala de cirurgia, sala de esterelização, sala de obstetrícia, sala de ginecologia, raio X, pediatria, berçário, 2 enfermarias, laboratório, maternidade, sala de cirurgia ambulatorial, entre outras facilidades.

Hoje o município conta com 9 postos de saúde e 1 hospital que possui consultórios de clinica básica, consultório odontológico, sala de cirurgia, sala de cirurgia ambulatorial, sala de parto, salade pré parto, sala de imunização, sala de esterelização, sala de nebulização e farmácia.


Read Full Post »

O antigo hospital de Fordlândia teve suas telhas removidas nas últimas semanas. De acordo com a imprensa da região, as telhas vinham sendo retiradas com autorização da prefeitura de Aveiro. A denúncia foi feita ao Ministério Público Federal (MPF) pelos próprios moradores da comunidade, por meio de um abaixo-assinado.

Hospital de Fordlândia destelhado/Foto: Fordlândia Portal de Notícias

Ao saber dos acontecimentos, o cineasta Marinho Andrade, diretor do documentário Fordlândia, entrou em contato com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que no último dia 07 enviou uma arquiteta para vistoriar os imóveis tombados e avaliar os danos causados pelo destelhamento. O IPHAN iniciou um projeto para o tombamento e revitalização do patrimônio histórico de Fordlândia em 2008.

Hospital de Fordlândia em 17 de fevereiro de 2012/Foto: Juliana Geller - Sangue, suor e seringais

 No dia 08, após receber provas do envolvimento da prefeitura, o MPF, através do procurador Marcel Brugnera Mesquita, encaminhou uma recomendação ao prefeito de Aveiro. O documento estabelece o prazo de 30 dias para que o município adote as medidas de preservação determinadas pelo IPHAN.

Hospital de Fordlândia em 1933 (ca)/Foto: The Henry Ford Org.

O hospital de Fordlândia já foi referência para toda a região, lá foi realizado o primeiro transplante de pele do país. Ele deixou de funcionar na década de 80.
Fontes: Portal NoTapajós, Fordlândia Portal de Notícias e Ministério Público Federal

Read Full Post »

Após 5 anos de pesquisas e entrevistas que aconteceram em 10 cidades no Brasil e nos Estados Unidos, o cineasta Marinho Andrade, o roteirista Daniel Augusto e sua equipe, em parceria com a Mixer Produtora, concluíram, em 2008, o documentário “Fordlândia“, que já foi exibido em diversos festivais de cinema, inclusive no Brasil Festival Amsterdam, em 2011.

O filme mostra a história da cidade através da história dos gêmeos Charles e Ed Thownsend, e da volta de ambos décadas mais tarde, em diferentes ocasiões, ao lugar onde nasceram, a Fordlândia, onde Charles reencontra a babá dos dois, América.

Veja o trailer:

Read Full Post »

Older Posts »