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Archive for abril \27\UTC 2012

Desde a fundação de Fordlândia, o porto tem papel importantíssimo para a sobrevivência do local. Através dele deveria ser escoada a produção de borracha da plantação da Ford e por ele chegavam materiais, mantimentos e trabalhadores para que o projeto continuasse funcionando. Hoje não é muito diferente, apesar de haver uma estrada ligando Fordlândia a BR-163, o principal ponto de entrada da vila continua sendo o porto. Lá aportam os barcos que trazem pessoas e mercadorias para o local.

Quando o Lake Ormoc partiu de Dearborn pela primeira vez com destino à Amazônia, carregava em seus porões a estrutura completa de uma usina de energia, que serviria para gerar a eletricidade necessária ao funcionamento da bomba de água e das máquinas da serraria e da oficina de Fordlândia.

Veja também: Ontem e Hoje – Hotel Zebu e da Escola Princesa Izabel e Ontem e hoje – Hospital de Fordlândia

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Um documentário produzido em 1944 por Walt Disney e comissionado pela Coordenação Norte-Americana para Relações Inter-Americanas mostra  Fordlândia de uma maneira otimista, como um local promissor onde progresso e natureza convivem harmonicamente. Nada é mencionado a respeito do mal-das-folhas, que vinha dizimando os seringais de Ford, ou a dificuldade para manter funcionários, outro grande problema para a empresa.

Confira abaixo o documentário transcrito em português:

Entre os pioneiros atuais da Amazônia que estão iluminando o caminho para outros seguirem está Henry Ford. A exploração de borracha da Ford no rio Tapajós é um empreendimento de proporção histórica. Aqui, dois milhões de hectares de floresta estão sendo convertidas em plantações altamente modernizadas, capazes de produzir borracha em larga escala.

Nas profundezas da selva, este modelo de comunidade é auto-suficiente em cada detalhe. Tem a sua casa própria energia, iluminação elétrica, um sistema de telefonia, a sua loja própria máquina completamente equipada com ferramentas modernas. Há um laboratório para processamento de borracha, uma fábrica de gelo e um corpo de bombeiros. Há lojas sem fins lucrativos, onde os alimentos e roupas são vendidos para os funcionários. Há equipamento de construção de estrada moderna, e 200 quilômetros de estradas já foram implantados na plantação. Dezessete mil hectares de floresta foram desmatados e plantadas seringueiras.

Trabalho científico e habilidade de mãos dadas para produzir as melhores árvores de borracha possíveis. Ford vasculhou os cantos mais remotos da Amazônia, bem como da Ásia, para obter um estoque selecionado e usá-lo para construir as suas próprias super árvores de borracha. Seringueiras silvestres produzem de três a quatro quilos de borracha por ano. Mas as árvores cultivadas produzem de duas a três vezes este montante, e a produtividade aumenta conforme as árvores crescem. No tratamento do látex, a borracha é reduzida para formas convenientes, que facilitam o manuseio e transporte e economizam espaço.

O cuidado científico, palavra de ordem da plantação, é estendido para o elemento humano. Os 5.000 habitantes tem acesso a todos os meios de tornar a vida na selva saudável, feliz e confortável. As casas dos trabalhadores são limpas e arejados e oferecem um ambiente agradável com as conveniências modernas.

As famílias que vivem na fazenda são altamente capazes de apreciar estas vantagens. Aos seus filhos são dadas todas as oportunidades para se tornarem indivíduos saudáveis e felizes. Há sete escolas modernas espalhados pela plantação, com uma matrícula total de 1.200 crianças. As crianças da cidade grande podem muito bem invejar estes jovens, que, em um ambiente rural saudável, são ensinados os três Rs, assim como da cultura física e higiene. Há ainda uma creche para as crianças mais jovens cujas mães desejam trabalhar. Aqui, os jovens recebem o melhor dos cuidados, incluindo refeições balanceadas. O melhor não é bom o suficiente, pois estes são os conquistadores futuros da Amazônia. Bem, aqui eles vêm. A creche encerrou por hoje, e o irmão está à disposição para levar para casa o pequeno. Não há problema de transporte aqui.

O hospital, com o melhor equipamento moderno e ótimo pessoal, oferece assistência médica gratuita para os funcionários.

Lazer é essencial primeiro para manter uma boa saúde. Os jogos empolgantes servem a um propósito duplo, também aliviam a monotonia. Mais tarde, um almoço é servido ao ar livre, seguido de delícias. Em seguida, vem a rodada da tarde de golfe, jogado nos campos próximos às plantações com um belo pano de fundo da selva.

Hoje, a plantação de Ford é uma empresa bem sucedida, um tributo à habilidade e ciência, as novas armas do pioneiro século XX.

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Uma reportagem publicada pela revista Rolling Stone pouco mais de 3 anos atrás relata a visita de Ed Thownsend à Fordlândia. Ed nasceu naquele lugar, filho de americanos, e voltou com os pais aos Estado Unidos quando o projeto da Ford foi encerrado. Esta visita também foi gravada pelo cineasta Marinho Andrade e é parte do documentário Fordlândia, do qual já falamos aqui.

Foto: Daniel Carneiro/Mixer

“Há cerca de dois anos, quando Hillary, uma das filhas de Ed Townsend, entrou na universidade, ele resolveu presenteá-la com uma viagem para onde ela quisesse ir. Ele, que tem as duas filhas em alta conta – na mansão da família, na pequena cidade de Grove, em Oklahoma, nos Estados Unidos, há uma cúpula que ele mandou fazer em que ambas aparecem como anjos renascentistas -, imaginou que ela gostaria de ir para a Europa, ou, quem sabe, para mais uma viagem de compras em Nova York. “Pai, eu quero conhecer o lugar onde você nasceu”, disse a garota, para a surpresa de Townsend.”

Leia a matéria na íntegra e confira a galeria de fotos aqui.

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Uma série de fatores influenciou o fracasso do empreendimento da Ford na Amazônia, um dos maiores foi a falta de funcionários. A promessa de salários que chegariam até 5 dólares ao dia não foi cumprida, ainda assim, o valor pago pela companhia era 25% a 35% maior que os praticados na região. Mas a economia local era baseada em crédito e escambo, e o pagamento de salários fixos tornava difícil manter os empregados, que ao juntar dinheiro suficiente para viver alguns meses, abandonavam o trabalho. A rotatividade em Fordlândia chegava a 300%.

A companhia também  oferecia alimentação, assistência médica ao trabalhador e sua família, escolas, habitação, entre outros benefícios, mas nada disso foi suficiente para que homens abandonassem os velhos hábitos do extrativismo e passassem a trabalhar conforme as regras da empresa, entre as quais estava a proibição do consumo de bebidas alcóolicas e horários que deveriam ser estritamente seguidos. A alimentação fornecida aos trabalhadores também não agradava, carnes embutidas e legumes não faziam parte da dieta normal do amazônida, acostumado a comer farinha de mandioca, item vetado no refeitório da Ford.

Veja no quadro abaixo a variação no número de trabalhadores obtidos pela Companhia Ford Industrial do Brasil durante os 6 primeiros anos do projeto.

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No início do mês de agosto de 1928 o jornalpublicou uma nota divulgando a partida do navio Lake Ormoc de Detroit com destino ao Pará. Nele estavam embarcados material de construção, tratores, ferramentas, trilhos de trem, máquinas de serraria, geradores de energia e outras coisas necessárias para iniciar a construção da cidade de Fordlândia.

*As cópias do Jornal A Cidade utilizadas nesse e em outros posts podem ser encontradas no Instituto Cultural Boanerges Sena (Travessa 15 de agosto, 1248, Santarém, Pará – Fone: 93 35233690)

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Quando Henry Ford manifestou interesse em investir na plantação de seus próprios seringais, muitos eram os interessados em atraí-lo para o Brasil, mais especificamente para a Amazônia, que vivia um período de decadência após o fim do ciclo da borracha. A começar pelo diplomata, inspetor consular do Brasil em Nova York, José Custódio Alves de Lima, que já havia enviado a Ford amostras de borracha, minerais e madeiras da Amazônia, e em audiência com o industrial, em 1925, conversou sobre concessão de terras, impostos e salários no Brasil.

Complexo industrial da Ford em River Rouge, Dearborn, Michigan

Um outro diplomata, William Schurz, adido comercial de Washington no Rio de Janeiro, também teve seu papel na vinda da Ford para a Amazônia. Foi ele quem se aliou primeiro a Jorge Dumont Villares, paulista, oriundo de uma rica família de cafeicultores, que vivia na Amazônia desde o início da década de 20. Maurice Greite, um inglês que vivia na Amazônia, conhecido oportunista, se juntou aos dois; foi ele quem apresentou a Villares o prefeito de Belém, Antônio Castro, e o governador do Pará, Dyonísio Bentes, que declarou que concederia terras gratuitamente a quem desejasse plantar seringueiras.

Schurz, como estava a serviço do governo americano, não poderia solicitar concessões de terras, mas Villares poderia, e assim o fez. Em setembro de 1926 o governador concedeu a ele cerca de 10 milhões de hectares na região do Vale do Tapajós. Schurz, por sua vez, passou a fazer tentativas de atrair os interesses de empresários americanos. Primeiro de Harvey Firestone e mais tarde de Henry Ford. Ele enviava cartas ao secretário do industrial destacando e aumentando as possibilidades do cultivo da borracha na Amazônia.

Entusiasmado após o encontro com Lima, Ford  pediu que William McCullough estudasse a possibilidade de se investir em seringais na Amazônia, e apesar do resultado desencorajador do estudo de McCullought, o industrial enviou a Belém dois de seus funcionários, W. L. Reeves Blakeley e Carl D. LaRue, com a missão de pesquisar qual seria o melhor local para a plantação de seringueiras. Na ocasião, Villares entrou em contato com os dois, e ofereceu US$18 mil para que o ajudassem a fechar um acordo com Ford. Pouco tempo depois, em 1926, Villares estava em Dearborn, sede da Ford Motor Co., para encontrar-se com Henry e Edsel Ford. A proposta do brasileiro incluia um contrato em que ele  seria o executor do projeto, e concedia à empresa o direito de extrair ouro, petróleo, madeira, diamantes, construir hidrelétricas e importar e exportar qualquer coisa sem impostos.

Jorge Dumont Villares (atrás) e sua equipe durante a implantação de Fordlândia, 4 de maio de 1928/Foto: The Henry Ford

As investidas de Schurz e Villares surtiram efeito, e em julho de 1927 Blakeley e O. Z. Ide, funcionário da divisão jurídica da Ford, chegaram a Belém para providenciar terras e documentação para que o projeto de implantação da Ford na Amazônia fosse iniciado. Apesar da declaração feita pelo governador, a empresa pagou US$125 mil à Villares por 1 milhão de hectares de terra, parte da concessão feita ao brasileiro em 1926.

Nesta foto de uma área de plantio em Fordlândia é possível observar o relevo da região/Foto: The Henry Ford

O que os americanos não sabiam é que o terreno vendido por Villares, onde se fundou Fordlândia, não era adequado a plantação de seringais, por conta de seu relevo muito acidentado. Outro fator que poderia fazê-los optar por adquirir terras em outro local era o fato de que naquela altura, o Rio Tapajós não era navegável para navios de maior porte durante o período da vazante, ou seja, durante quase 6 meses do ano a produção de borracha não poderia ser escoada.

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