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Posts Tagged ‘Belterra’

No último dia 4 de maio Belterra completou 78 anos de existência. Desses, são apenas 16 anos como município emancipado. A cidade é jovem e ainda passa por processo de amadurecimento.

Quando a Companhia Ford deixou para trás seu projeto, os terrenos foram compradas da empresa pelo Governo Federal, e pertenceram a ele até a emancipação, quando parte das terras foram cedidas ao município. Por conta disso, impostos como o IPTU por exemplo, tiveram que ser implantados em Belterra aos poucos e com campanhas que esclarecessem a população.

Para envolver as pessoas na administração da cidade, foi implementado um sistema de parceria entre a prefeitura e os cidadãos: a população toma conhecimento dos recursos e das necessidades da prefeitura e é estimulada a colaborar no que puder, inclusive na prestação de serviços a comunidade.

Um Plano Diretor Participativo também está em fase de elaboração em Belterra, apesar de a cidade ter 16.451 habitantes e a exigência de Plano Diretor ser dirigida apenas a municípios com mais de 20 mil habitantes.

Saiba mais sobre a cidade de Belterra nesse post.

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Uma série de fatores influenciou o fracasso do empreendimento da Ford na Amazônia, um dos maiores foi a falta de funcionários. A promessa de salários que chegariam até 5 dólares ao dia não foi cumprida, ainda assim, o valor pago pela companhia era 25% a 35% maior que os praticados na região. Mas a economia local era baseada em crédito e escambo, e o pagamento de salários fixos tornava difícil manter os empregados, que ao juntar dinheiro suficiente para viver alguns meses, abandonavam o trabalho. A rotatividade em Fordlândia chegava a 300%.

A companhia também  oferecia alimentação, assistência médica ao trabalhador e sua família, escolas, habitação, entre outros benefícios, mas nada disso foi suficiente para que homens abandonassem os velhos hábitos do extrativismo e passassem a trabalhar conforme as regras da empresa, entre as quais estava a proibição do consumo de bebidas alcóolicas e horários que deveriam ser estritamente seguidos. A alimentação fornecida aos trabalhadores também não agradava, carnes embutidas e legumes não faziam parte da dieta normal do amazônida, acostumado a comer farinha de mandioca, item vetado no refeitório da Ford.

Veja no quadro abaixo a variação no número de trabalhadores obtidos pela Companhia Ford Industrial do Brasil durante os 6 primeiros anos do projeto.

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Como a linha de produção da Ford, o setor administrativo da companhia era também extremamente organizado. Os funcionários, do gerente geral aos responsáveis pela limpeza dos seringais, eram registrados em fichas e tinham um número de ordem.

Ficha do Sr. Archibald Johnston, gerente de Fordlândia

Algumas continham dados como data de nascimento, filiação, local de nascimento, estado civil. Isso existia mesmo antes de as carteiras de trabalho serem instituídas no Brasil (em 1932). No verso da ficha haviam observações sobre faltas, licenças médicas e a demissão do empregado.

Ficha de Miguel Garcia Mota, empregado como aprendiz de jardineiro

Verso de ficha padrão de trabalhador da Companhia Ford Industrial do Brasil

Todo tipo de instrução era feita por meio de formulários de comunicação interna, desde relatos de atendimentos médicos a funcionários até férias, retirada e devolução de equipamentos utilizados pelos trabalhadores no dia-a-dia.

Pedido de instruções de um médico ao Sr. Thownsend, pai dos gêmos Charles e Ed, que participaram do documentário Fordlândia.

Termo de compromisso no qual o funcionário Manoel Gomes Pereira assume a responsabilidade de manter limpo um terreno da Companhia

Os funcionários também assinavam termos de compromisso que funcionavam como contratos, definindo o trabalho para o qual fora admitido e o pagamento e benefícios que receberia por este.

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No início do mês de março, 84 anos atrás, o Jornal A Cidade publicou um telegrama recebido pelo diário carioca O Paiz de seu correspondente em Belém.

O conteúdo dizia respeito à instalação da Companhia Ford Industrial do Brasil no Pará e à contratação de navios a vapor para trazer de Chicago carregamentos de concreto suficientes para a implantação de uma cidade.

Também nesta correspondência comenta-se a visita de Jorge Dumont Villares e Raymundo Monteiro da Costa à Detroit, onde foram recebidos com brindes amistosos por Henry Ford.

*As cópias do Jornal A Cidade utilizadas nesse e em outros posts podem ser encontradas no Instituto Cultural Boanerges Sena (Travessa 15 de agosto, 1248, Santarém, Pará – Fone: 93 35233690)

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No próximo dia 4 de maio, Belterra completará 78 anos. Fundada em 1934 pela Companhia Ford Industrial do Brasil, a cidade foi um empreendimento da empresa durante seus primeiros 11 anos. Depois disso, o Ministério da Agricultura ficou responsável por administrá-la, até que, em 1997, o município foi emancipado.

A população passou de aproximadamente 5.000 habitantes, em 1938, para 16.318 em 2010, com estimativa de 16.451 em 2011. O PIB cresceu mais que 5 vezes em 10 anos, de 1999 a 2009.

Em 1944 Belterra tinha 4 escolas, todas as escolas construídas e mantidas pela Ford. Em 2009 ainda não haviam escolas particulares na cidade e a rede pública de ensino era composta por 18 pré-escolares com 490 alunos e 25 professores, 62 escolas de ensino fundamental, com 3.947 alunos e 178 professores e 1 escola de ensino médio com 573 alunos e 23 professores.

Hospital Henry Ford, em Belterra

O Hospital Henry Ford, construído em 1938, tinha ambulatório, farmácia, 2 gabinetes médicos, gabinete odontológico, sala de cirurgia, sala de esterelização, sala de obstetrícia, sala de ginecologia, raio X, pediatria, berçário, 2 enfermarias, laboratório, maternidade, sala de cirurgia ambulatorial, entre outras facilidades.

Hoje o município conta com 9 postos de saúde e 1 hospital que possui consultórios de clinica básica, consultório odontológico, sala de cirurgia, sala de cirurgia ambulatorial, sala de parto, salade pré parto, sala de imunização, sala de esterelização, sala de nebulização e farmácia.


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Após 5 anos de pesquisas e entrevistas que aconteceram em 10 cidades no Brasil e nos Estados Unidos, o cineasta Marinho Andrade, o roteirista Daniel Augusto e sua equipe, em parceria com a Mixer Produtora, concluíram, em 2008, o documentário “Fordlândia“, que já foi exibido em diversos festivais de cinema, inclusive no Brasil Festival Amsterdam, em 2011.

O filme mostra a história da cidade através da história dos gêmeos Charles e Ed Thownsend, e da volta de ambos décadas mais tarde, em diferentes ocasiões, ao lugar onde nasceram, a Fordlândia, onde Charles reencontra a babá dos dois, América.

Veja o trailer:

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Entre os anos de 1980 e 1986, o brasilianista americano Warren Dean esteve no Brasil realizando pesquisas que resultaram no livro “A luta pela borracha no Brasil: um estudo de história ecológica, onde narra a ascensão da exploração da borracha na Amazônia, o início do cultivo na Malásia, a falência causada por isso e a tentativa de plantar a seringueira de maneira racional no Brasil.

“O autor destaca a importância de uma contextualização global no tocante às espécies nativas, patentes, transgênicos etc. através de questões como: Como o Brasil perdeu o monopólio da borracha? Por que os brasileiros não empreenderam o cultivo da seringueira, em resposta à ameaça do sudeste asiático? Como os Estados Unidos que durante mais de vinte anos, aplicaram capital e tecnologia na plantação de seringueiras no Brasil não obtiveram êxito?”*

Dean foi professor do Departamento de História da Universidade de Nova York, como Greg Grandin, o autor de Fordlândia.

*Trecho da sinopse disponível no site da Editora Nobel

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