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Posts Tagged ‘Ciclo da Borracha’

Na edição de 10 de dezembro de 1927 do Jornal A Cidade, de Santarém, no Pará, o assunto é, mais uma vez, a chegada da empresa americana Ford e seus possíveis impactos positivos no vale do Tapajós, em especial do próprio município onde o jornal é editado.

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“Preferido como foi o valle do Tapajós para a cultura da hevea, para alli se vae encaminhar portanto, o grosso dos elementos da empresa e excusa dizer que toda essa região e adjacencias, sentirão quasi de frente os effeitos animadores desses grandes influxos”, escreve L. Nunes.

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O artigo também cita as consequências devastadoras do fim do ciclo da borracha e a necessidade de organizar-se para aproveitar os capitais americanos e os planos da Ford para a região.

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Levando em consideração os solos férteis do vale, a possibilidade da cultura e exportação de frutas, principalmente a banana, é sugerida para diversificar a fonte de lucros. O autor argumenta que, em 1925, os Estados Unidos importaram 200 mil contos em bananas e a Inglaterra, 150 mil.

Para reiterar a urgência da criação de bases sólidas para receber o investimento, Nunes encerra: “Finalmente o que precisamos não perder de vista, é a necessidade instante de criar-se uma industria, um commercio que pela sua importancia e solidez, seja um poderoso elemento de vida para Santarem.”

*As cópias do Jornal A Cidade utilizadas nesse e em outros posts podem ser encontradas no Instituto Cultural Boanerges Sena (Travessa 15 de agosto, 1248, Santarém, Pará – Fone: 93 35233690)
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Entre os anos de 1980 e 1986, o brasilianista americano Warren Dean esteve no Brasil realizando pesquisas que resultaram no livro “A luta pela borracha no Brasil: um estudo de história ecológica, onde narra a ascensão da exploração da borracha na Amazônia, o início do cultivo na Malásia, a falência causada por isso e a tentativa de plantar a seringueira de maneira racional no Brasil.

“O autor destaca a importância de uma contextualização global no tocante às espécies nativas, patentes, transgênicos etc. através de questões como: Como o Brasil perdeu o monopólio da borracha? Por que os brasileiros não empreenderam o cultivo da seringueira, em resposta à ameaça do sudeste asiático? Como os Estados Unidos que durante mais de vinte anos, aplicaram capital e tecnologia na plantação de seringueiras no Brasil não obtiveram êxito?”*

Dean foi professor do Departamento de História da Universidade de Nova York, como Greg Grandin, o autor de Fordlândia.

*Trecho da sinopse disponível no site da Editora Nobel

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O jornalista investigativo americano Joe Jackson é o autor do livro “O ladrão no fim do mundo“, no qual conta como o inglês Henry Wickham levou 70 mil sementes de seringueira da Amazônia para a Inglaterra (lembra que já falamos disso por aqui?).

Confira um trecho da sinopse divulgada pela Editora Objetiva:

“Movido pela ambição de crescer na indústria da borracha – filão comandado pelo Brasil na época – Wickham decide se aventurar pela selva amazônica em busca de um tipo particular de seringueira que produzia a borracha mais forte, durável e almejada pelos ingleses.

Após enfrentar os perigos da floresta, ter encontros com insetos gigantes e habitantes do rio Amazonas, entre outras experiências que quase o levaram à morte, Henry Wickham retorna à Inglaterra com milhares de sementes raras de seringueira que, depois de estudadas no jardim botânico de Londres, o Kew Gardens, foram enviadas para plantações nas colônias inglesas tropicais.”

Segundo o jornal Washington Post, “o ladrão no fim do mundo não é simplesmente informativo e instrutivo, é também extremamente divertido – um atributo sempre bem-vindo.”

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Para responder a esta questão é preciso voltar ao início do ciclo da borracha no Brasil, no ano de 1876, quando o inglês Henry Alexander Wickham enviou para o Royal Botanical Gardens, em Londres, 70 mil sementes de Hevea brasiliensis (seringueira). Elas deram origem a 2.700 mudas que foram plantadas em colônias britânicas na Malásia. Pouco mais de cinquenta anos depois, os seringais destas colônias já produziam mais e com menor custo que os da Amazônia, onde a produção de borracha ainda era baseada no extrativismo.

Sementes de seringueira - Roberto Joly

Estas sementes, que haviam sido coletadas em Boim (região do Vale do Tapajós localizada pouco ao norte de onde posteriormente seria fundada a Fordlândia), acabaram sendo a causa principal do fim do ciclo da borracha, em 1912. Mas essa não foi a única consequência do plantio de seringueiras na Malásia, Ceilão (atual Sri Lanka) e África, os ingleses desejavam que o preço do látex continuasse em alta e para isso criaram o cartel da borracha.

Henry Wickham posa ao lado de uma seringueira no Sri Lanka, em 1905.

A fim de abastecer as fábricas da Ford mantendo o preço de seus automóveis atrativo, Henry Ford decidiu que não dependeria do cartel inglês, ele produziria sua própria borracha. Para isso era necessário escolher um local apropriado e nada mais lógico que optar pelo lugar de onde haviam saído as sementes utilizadas pelos ingleses em seus seringais produtivos e eficientes.

O industrial adquiriu as terras onde contruiria Fordlândia, cerca de um milhão de hectares, por 125 mil dólares, mas este é um capítulo a parte, do qual falarei em outro post…

*Post produzido com informações do artigo “Fordlândia – Breve relato da presença americana na Amazônia”, de Cristovam Sena, Engenheiro Florestal da EMATER-PARÁ e diretor do ICBS – Instituto Cultural Boanerges Sena

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