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Posts Tagged ‘Estrutura’

No último dia 4 de maio Belterra completou 78 anos de existência. Desses, são apenas 16 anos como município emancipado. A cidade é jovem e ainda passa por processo de amadurecimento.

Quando a Companhia Ford deixou para trás seu projeto, os terrenos foram compradas da empresa pelo Governo Federal, e pertenceram a ele até a emancipação, quando parte das terras foram cedidas ao município. Por conta disso, impostos como o IPTU por exemplo, tiveram que ser implantados em Belterra aos poucos e com campanhas que esclarecessem a população.

Para envolver as pessoas na administração da cidade, foi implementado um sistema de parceria entre a prefeitura e os cidadãos: a população toma conhecimento dos recursos e das necessidades da prefeitura e é estimulada a colaborar no que puder, inclusive na prestação de serviços a comunidade.

Um Plano Diretor Participativo também está em fase de elaboração em Belterra, apesar de a cidade ter 16.451 habitantes e a exigência de Plano Diretor ser dirigida apenas a municípios com mais de 20 mil habitantes.

Saiba mais sobre a cidade de Belterra nesse post.

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Um documentário produzido em 1944 por Walt Disney e comissionado pela Coordenação Norte-Americana para Relações Inter-Americanas mostra  Fordlândia de uma maneira otimista, como um local promissor onde progresso e natureza convivem harmonicamente. Nada é mencionado a respeito do mal-das-folhas, que vinha dizimando os seringais de Ford, ou a dificuldade para manter funcionários, outro grande problema para a empresa.

Confira abaixo o documentário transcrito em português:

Entre os pioneiros atuais da Amazônia que estão iluminando o caminho para outros seguirem está Henry Ford. A exploração de borracha da Ford no rio Tapajós é um empreendimento de proporção histórica. Aqui, dois milhões de hectares de floresta estão sendo convertidas em plantações altamente modernizadas, capazes de produzir borracha em larga escala.

Nas profundezas da selva, este modelo de comunidade é auto-suficiente em cada detalhe. Tem a sua casa própria energia, iluminação elétrica, um sistema de telefonia, a sua loja própria máquina completamente equipada com ferramentas modernas. Há um laboratório para processamento de borracha, uma fábrica de gelo e um corpo de bombeiros. Há lojas sem fins lucrativos, onde os alimentos e roupas são vendidos para os funcionários. Há equipamento de construção de estrada moderna, e 200 quilômetros de estradas já foram implantados na plantação. Dezessete mil hectares de floresta foram desmatados e plantadas seringueiras.

Trabalho científico e habilidade de mãos dadas para produzir as melhores árvores de borracha possíveis. Ford vasculhou os cantos mais remotos da Amazônia, bem como da Ásia, para obter um estoque selecionado e usá-lo para construir as suas próprias super árvores de borracha. Seringueiras silvestres produzem de três a quatro quilos de borracha por ano. Mas as árvores cultivadas produzem de duas a três vezes este montante, e a produtividade aumenta conforme as árvores crescem. No tratamento do látex, a borracha é reduzida para formas convenientes, que facilitam o manuseio e transporte e economizam espaço.

O cuidado científico, palavra de ordem da plantação, é estendido para o elemento humano. Os 5.000 habitantes tem acesso a todos os meios de tornar a vida na selva saudável, feliz e confortável. As casas dos trabalhadores são limpas e arejados e oferecem um ambiente agradável com as conveniências modernas.

As famílias que vivem na fazenda são altamente capazes de apreciar estas vantagens. Aos seus filhos são dadas todas as oportunidades para se tornarem indivíduos saudáveis e felizes. Há sete escolas modernas espalhados pela plantação, com uma matrícula total de 1.200 crianças. As crianças da cidade grande podem muito bem invejar estes jovens, que, em um ambiente rural saudável, são ensinados os três Rs, assim como da cultura física e higiene. Há ainda uma creche para as crianças mais jovens cujas mães desejam trabalhar. Aqui, os jovens recebem o melhor dos cuidados, incluindo refeições balanceadas. O melhor não é bom o suficiente, pois estes são os conquistadores futuros da Amazônia. Bem, aqui eles vêm. A creche encerrou por hoje, e o irmão está à disposição para levar para casa o pequeno. Não há problema de transporte aqui.

O hospital, com o melhor equipamento moderno e ótimo pessoal, oferece assistência médica gratuita para os funcionários.

Lazer é essencial primeiro para manter uma boa saúde. Os jogos empolgantes servem a um propósito duplo, também aliviam a monotonia. Mais tarde, um almoço é servido ao ar livre, seguido de delícias. Em seguida, vem a rodada da tarde de golfe, jogado nos campos próximos às plantações com um belo pano de fundo da selva.

Hoje, a plantação de Ford é uma empresa bem sucedida, um tributo à habilidade e ciência, as novas armas do pioneiro século XX.

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No início do mês de agosto de 1928 o jornalpublicou uma nota divulgando a partida do navio Lake Ormoc de Detroit com destino ao Pará. Nele estavam embarcados material de construção, tratores, ferramentas, trilhos de trem, máquinas de serraria, geradores de energia e outras coisas necessárias para iniciar a construção da cidade de Fordlândia.

*As cópias do Jornal A Cidade utilizadas nesse e em outros posts podem ser encontradas no Instituto Cultural Boanerges Sena (Travessa 15 de agosto, 1248, Santarém, Pará – Fone: 93 35233690)

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As cidades criadas pela Ford no meio da Amazônia despertam a curiosidade de pessoas no mundo inteiro. Em janeiro de 2009 a rede de TV Al Jazeera, do Catar, esteve em Fordlândia para produzir uma reportagem sobre o lugar.

Confira a transcrição da matéria de Gabriel Elizondo:

“Dona Olinda tem dificuldades para encontrar palavras que descrevam como era naquele tempo, quando a Ford Motor Company chegou à pequena vila na Amazônia. Eram os anos 20 e Ford precisava de borracha para os pneus dos carros produzidos por sua fábrica em franca expansão.

Então ele comprou um pedaço de 10.000km² da Amazônia onde seringueiras eram árvores nativas. Ford fincou uma bandeira em sua terra, a Fordlândia.

A companhia limpou o terreno e construiu uma nova cidade com boas casas em estilo americano, escolas e um hospital com tecnologia de ponta. E tudo era disponível para todos, mesmo os que não estavam entre os 4.000 funcionários locais da empresa. “O que ele construiu, no meio da floresta, era um feito como nunca visto antes nesta região”, disse Cristovam Sena, Engenheiro Florestal.

À princípio, parecia promissor, mas os gerentes americanos de Ford não eram botânicos, e a maioria das árvores morreu quando eles tentaram, de maneira incorreta, recultivar o solo. Então a borracha sintética foi inventada nos Estados Unidos, diminuindo a demanda por borracha da Amazônia.

Apresentador: Só nesta fábrica, Ford esperava produzir borracha suficiente para os pneus de 2 milhões de carros, mas ele nunca chegou perto de atingir este objetivo, então em 1945 ele simplesmente deixou o projeto e vendeu toda Fordlândia de volta ao governo brasileiro por meros US$250.000

E tão rapidamente quanto ele construiu Fordlândia, Henry Ford a abandonou. Os americanos voltaram a matriz da empresa, em Dearborn, Michigan, e enterraram as esperanças dos moradores locais.

Fordlândia, com  2.000 habitantes, ainda existe hoje, mas os prédios da Ford foram deixados apodrecendo, a maioria abandonado.Alguns sinais esfarrapados da presença americana foram deixados, mas o governo brasileiro nunca deu utilidade às construções. Era simplesmente uma área muito remota para servir a qualquer propósito.

Para alguns, Ford não tinha más intenções, eles apontam o fato de que a companhia pagou todos os débitos com os trabalhadores antes de partir. Outros mencionam a destruição do meio ambiente causada para a construção de Fordlândia e os prédios abandonados como o primeiro exemplo do século XX da realidade fria do capitalismo corporativo.

“Um fracasso. É a única maneira para descrever o que foi Fordlândia para Henry Ford”, afirma Cristovam Sena.

Dona Olinda hoje tem 98 anos de idade, ela é uma dos poucos brasileiros ainda vivos que trabalharam para a Ford. A memória daquele tempo já é desbotada, mas talvez isso seja uma coisa boa, considerando como se deu o último capítulo da desventura de Ford na Amazônia.

Gabriel Elizondo – Al Jazeera.

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No próximo dia 4 de maio, Belterra completará 78 anos. Fundada em 1934 pela Companhia Ford Industrial do Brasil, a cidade foi um empreendimento da empresa durante seus primeiros 11 anos. Depois disso, o Ministério da Agricultura ficou responsável por administrá-la, até que, em 1997, o município foi emancipado.

A população passou de aproximadamente 5.000 habitantes, em 1938, para 16.318 em 2010, com estimativa de 16.451 em 2011. O PIB cresceu mais que 5 vezes em 10 anos, de 1999 a 2009.

Em 1944 Belterra tinha 4 escolas, todas as escolas construídas e mantidas pela Ford. Em 2009 ainda não haviam escolas particulares na cidade e a rede pública de ensino era composta por 18 pré-escolares com 490 alunos e 25 professores, 62 escolas de ensino fundamental, com 3.947 alunos e 178 professores e 1 escola de ensino médio com 573 alunos e 23 professores.

Hospital Henry Ford, em Belterra

O Hospital Henry Ford, construído em 1938, tinha ambulatório, farmácia, 2 gabinetes médicos, gabinete odontológico, sala de cirurgia, sala de esterelização, sala de obstetrícia, sala de ginecologia, raio X, pediatria, berçário, 2 enfermarias, laboratório, maternidade, sala de cirurgia ambulatorial, entre outras facilidades.

Hoje o município conta com 9 postos de saúde e 1 hospital que possui consultórios de clinica básica, consultório odontológico, sala de cirurgia, sala de cirurgia ambulatorial, sala de parto, salade pré parto, sala de imunização, sala de esterelização, sala de nebulização e farmácia.


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Há pouco menos de um ano, liderados pelo senhor Expedito Brito, presidente da associação de moradores de Fordlândia, famílias da comunidade passaram a viver na antiga Vila Americana, que foi construída pela Companhia Ford Industrial do Brasil para  abrigar os funcionários americanos mais graduados.

Entrada da Vila Americana

Segundo o próprio Expedito, o objetivo da “invasão” é restaurar e preservar o que resta das construções. Ele conta que visitava diariamente as casas, via que estavam sendo depredadas e saqueadas, e percebeu que não havia outra maneira de preservá-las senão morando nelas para coibir a ação de ladrões e vândalos.

Expedito Brito, presidente da Associação de Moradores de Fordlândia

Casa ocupada pela família de Expedito

Depois que ele se mudou para uma das casas, algumas pessoas pediram permissão para ocupar as outras, Expedito afirma que permitiu, porém reuniu-se com os outros moradores para deixar acordado que as casas não poderiam ser descaracterizadas, que nada poderia ser levado dali para outros lugares e que caso a justiça determinasse, eles deveriam deixar o local imediatamente.

O piso, a mesa e as cadeiras, e a cristaleira da casa ocupada por Expedito são originais da época em que a Ford construiu a cidade

Na cozinha, o piso, a pia de ferro e os armários embutidos também são originais

À época, o governo do município de Aveiro se manifestou contrário ao ato e argumentou que aquelas casas eram de propriedade da União e que já havia um projeto da prefeitura de Aveiro junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a restauração do patrimônio.

Casa da Vila Americana em foto de outubro de 2010/Adrica Coelho - Blog Forum BR163

De fato, a parceria foi firmada em três audiências públicas entre os anos de 2009 e 2010, segundo as quais o Governo Federal disponibilizaria 23 milhões de reais para a revitalização de casas, galpões e outros prédios. Os trabalhos deveriam ter início em fevereiro de 2011, com a restauração do Hotel Zebu, da caixa d’água e de cinco casas da Vila Americana.

O antigo Hotel Zebu

Casa da Vila Americana em ruínas

Até hoje, nem a União e nem o IPHAN requisitaram a reintegração de posse das casas. Três delas estão ocupadas, uma está em ruínas e o antigo hotel segue abandonado.

*Até o momento, não foi possível entrar em contato com a prefeitura de Aveiro.

**Fotos: Juliana Geller

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Quem se interessa pela história das cidades fundadas pela Companhia Ford do Brasil na Amazônia não pode deixar de visitar o Centro de Memória de Belterra. A instituição tem como objetivo recolher, catalogar, preservar e disponibilizar para pesquisa conteúdo histórico sobre o município. O responsável por esse acervo é o arquivista e agente de atendimento Osenildo Maranhão, filho de seringueiros da Companhia Ford.

A antiga "casa dos médicos" foi restaurada e abriga o Centro de Memória de Belterra

O centro é fruto de uma parceria entre a Prefeitura, a Oscip (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) AmaBrasil e o Instituto Butantan e funciona desde o dia 1 de maio de 2010, na casa que abrigava os médicos que vinham trabalhar no conhecido hospital de Belterra, a “casa dos médicos”, primeiro prédio histórico da cidade restaurado através do Projeto Butantan Amazônia Muiraquitan Brasil.

Revistas de medicina americanas, encontradas no antigo hospital de Belterra

Placas de identificação dos funcionários da Ford

“Pesquisadores do Butantan em conjunto com a Prefeitura de Belterra, trabalham de forma intensa na recuperação do acervo histórico desta cidade e este centro serve de apoio ao trabalho de pesquisa e possibilita o acesso as informações para os moradores e estudantes da região”, afirma Otavio Azevedo Mercadante, diretor do Instituto Butantan à época da inauguração do centro, explicando a importância do projeto.

Mapa de Belterra feito em madeira, usado pela Companhia Ford do Brasil

  • Endereço: Vila Americana, n° 108, Bosque das Seringueiras, Centro – Belterra.
  • Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h

(Fontes: Instituto Butantan e Centro de Memória de Belterra. Fotos: Juliana Geller)

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